A influência da retórica tradicional

O fato é que durante muito tempo, parte da pregação cristã deveu seu formato e estilo à retórica tradicional. Até a entrada do Cristianismo no mundo helênico, o controle da estrutura do sermão ficava por conta de narrativas. Com a adoção de elementos da retórica grega, a reflexão lógica e ordenada entrou em cena na Igreja. Os elementos narrativos foram praticamente confinados ao eventual uso das chamadas “ilustrações”.
A influência grega (e também romana, em escala menor) ajudou a determinou a presença de elementos da retórica clássica na pregação cristã. Os sermões também sofreram forte influência desta tendência, cada vez mais se baseando na força de argumentos. A solidificação do processo é creditada a Agostinho (354-430). O seu quarto livro da série Da Doutrina Cristã é considerado o primeiro manual homilético do Cristianismo. Ele havia ensinado retórica em Cartago, Roma e Milão tendo forte influência de Cícero, aluno de Aristóteles. O resultado foi que a variedade de gêneros literários das Escrituras passaram a ser enquadrados em um molde elaborado pela teoria retórica clássica. Freemann observa que

durante o Período Patrístico, a Igreja passou a ser preocupar com fórmulas, conotações e nuances das palavras em um esforço para forjar afirmações precisas da verdade teológica. O resultado foi que a verdade proposicional obscureceu a dimensão dinâmica nativa do Evangelho. O que a Igreja havia conquistado nos quatro primeiros concílios ecumênicos precisava ser afirmado. Infelizmente, o efeito secundário foi uma ênfase em palavras estáticas em detrimento da Palavra dinâmica. O foco mudou da história para a interpretação da história. Quando a Igreja começou a ficar preocupada com fórmulas verbais, ela correu o risco de perder a dinâmica da história do Evangelho.

Pais da Igreja, como Crisóstomo, pregavam as palavras bíblicas tendo como referência pressupostos de Platão e Aristóteles. O sermão passou a ser uma cuidadosa peça argumentativa. Eram comuns elementos retóricos como perguntas, exclamações, contrastes e toda sorte de figuras de linguagem. A influência do caráter forense no sermão ficou clara através da sua estrutura básica: introdução, uma série de pontos, e uma conclusão sumariando o conteúdo. (djj)

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