> Livro 13: Pregação encarnacional

Dica de leitura 03

A expressão “pregação encarnacional” é bastante usada em vários segmentos homiléticos.  Ela se refere ao esforço do pregador de “encarnar” a Palavra de Deus, de se “tornar” a mensagem de Deus da Escritura Sagrada.  Este é o foco principal do livro de David Day – Preaching witt All You’ve Got: Embodying the Word (“Pregando com tudo o que você tem – Encarnando aImagem Palavra”).  Foi publicado nos EUA em 2006 pela Hendrickson.  Tem 186 páginas.

A imagem da “encarnação” permeia todas as quatro partes e os 18 capítulos do livro.  David começa abordando com a Palavra de Deus que deve primeiro se encarnar no pregador.  Nesta parte, ele aborda questões relacionadas com a personalidade e a atitude do pregador, no e fora do púlpito.  Um dos capítulos aborda a Bíblia e a imaginação.

Na segunda parte, o autor escreve sobre “a Palavra encarnada em palavras”.  Aqui, ele aborda questões como histórias, imagens, metáforas, metáforas, ilustrações, etc.  O ponto de partida é o próprio caráter da Bíblia, que está repleta de recursos imaginativos e criativos.

A contextualização (encarnação no mundo) da Palavra de Deus é um dos focos da Parte 3.  Além de apontar para a necessidade da aplicação da Palavra à realidade do ouvintes, David também avaliar ferramentas disponíveis que podem auxiliar neste processo, como artes visuais, objetos e informática.

A parte final lida com “a Palavra encarnada nos ouvintes”.  São dois capítulos: “Pregando com a congregação” e “Pregando para uma resposta”.

Na chamada de contra capa do livro está colocado o seguinte: “Pregação encarnacional convida pregadores a ‘encarnar a Palavra’ tornando-se sua mensagem por meio de transparência pessoal, histórias contadas com imaginação, metáforas iluminadoras e o uso vívido de imagens”.

Nota 1: Eu me refiro à “pregação encarnacional” em alguns capítulos do meu livro Pregação Criativa (como no 6). A ênfase é a mesma do que a propugnada por David Day.

Nota 2: O autor também escreveu um manual homilético: “A Preaching Workbook”.  A última edição é de 2004 e foi publicada pela  SPCK Publishing, de Londres.

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> O perigo da pregação genérica

A “praga da pregação genérica” pode ser resumida em um exemplo citado por Deffner:

Há não muito tempo eu ouvi um “sermão”. Durante dezoito minutos o pregador falou de forma entediada sobre o “fato” de que “você é um filho de Deus”. Ele não me disse nada de novo. Não havia um pensamento original na mensagem. Sua fraca tentativa de inserir o que ele pensou que provavelmente fossem “ilustrações”, na verdade eram simples recapitulações mentais do tipo: “Aconteceu que estava vendo a revista Time outro dia…”; “Eu estava dirigindo para o hospital para fazer algumas visitas quando repentinamente me ocorreu que…”; “Eu estava no avião e aconteceu de iniciar um diálogo com…” Obviamente não houve preparação real, nenhuma busca por ilustrações adequadas, nenhum estudo profundo nem do texto bíblico nem da vida contemporânea – assim como também não havia perguntas indutivas que me confrontasse com a Lei e o Evangelho do texto. Eu fui para casa não apenas não alimentado, mas com raiva…”

Interfaces

Uma abordagem criativa na pregação envolve, primeiro, uma análise cuidadosa da situação apresentada pelo texto bíblico. Em seguida, o pregador deve encontrar situações análogas aos das Escrituras.  A tarefa de descobrir da forma mais objetiva o ponto de vista bíblico ajuda o pregador a evitar uma abordagem subjetiva dos textos do sermão.

É possível levar a figura da “ponte” um pouco além.  O significado que se torna o evento-Palavra no sermão é resultado de três partes interconectadas – como se fossem três vãos de uma mesma ponte.  Existe a inter-relação entre o texto bíblico e o pregador.  Através de leitura, estudo, meditação ele capta a mensagem de Deus em determinado texto.  Em seguida, ele a desenvolve e formata com clareza, objetividade, imaginação, criatividade, tendo em vista os ouvintes.  Neste processo, ele passa por vários “diálogos”: a oração, o contato com pessoas, a leitura de um livro ou um jornal, a participação em um evento comunitário – todos acrescendo informações que podem ser incorporados na mensagem.

Em seguida, acontece a interface entre o pregador e os ouvintes.  É o momento da entrega da mensagem.  É um ato de comunicação grupal, mesmo que, eventualmente, largamente monológico.  É a hora da liberação criativa e operativa da Palavra de Deus, cuja força está nela própria, através do trabalho de criação do Espírito Santo.  (djj)

Exegese da vida humana

“Fazer a exegese da Escritura não é o suficiente; um pregador também precisa fazer a exegese da vida humana. As pessoas que às vezes parecem drenar nossas emoções e distrair nosso pensar são, na verdade, uma ferramenta importante para a pregação. Precisamos conhecer aqueles aos quais pregamos, não de uma forma como o vendedor conhece seu cliente para lhe vender um produto, mas antes da forma como um marido conhece a sua esposa com um conhecimento participatório que transforma tanto a ela como a si mesmo”. Donald W. McCullough, Building the Bridge, Preaching, volume VII, número 3, novembro/dezembro 1991, pp 32, 34.