Novas opções

Mas a variedade nas Escrituras vai muito além destes “sermões”.  Além de um intenso uso de figuras de linguagem, também chama a atenção a variedade de formatos literários empregados (poesia, provérbios, cartas, narrativas, etc.).  De fato, com diz o autor de Hebreus, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras no passado (1.1).  A variedade das Escrituras sugere que existem muitas e variadas formas que o pregador pode utilizar para proclamar a Boa-Nova, cada qual apropriada para um diferente aspecto da mensagem.  Por isso, a consciência da existência de formas alternativas pode sensibilizar o pregador a considerar novas opções.  “O pregador de hoje precisa estar constantemente atento para novas maneiras de compartilhar a ‘antiga, antiga história’, que é sempre nova.[i]

Considerando a grande variedade de formas através das quais Deus fala na Bíblia, diz Knoche, é surpreendente como existem pregadores “casados” com um esboço com três pontos e um poema em seus sermões.  Da perspectiva de “ganhar o interesse da congregação ou apresentar um testemunho mais pessoal – ou até para tornar o meio a mensagem – variedade na forma do sermão… parece ser ‘um caminho não percorrido’ na maioria dos púlpitos.”[ii]  (djj)


[i] Larsen, 85

[ii] Knoche, 29

A estrutura de sermão pragmática

2. O Sermão Pragmático

 

Essa estrutura de sermão começou a ser tornar popular nos Estados Unidos nas últimas décadas do século 20.  Ele tenciona resolver um “mistério”: “Como um detetive, o pregador pragmático atua para decifrar mistérios para os ouvintes.”[i]  Ele começa com uma necessidade do ouvinte e o move para uma solução, dando-lhe um caráter indutivo.  São comuns temas como desemprego, problemas de relacionamento, incertezas espirituais. Os sermões podem ter títulos como “5 maneiras de…”, ou “7 leis espirituais para…” ou “Como ter sucesso na vida espiritual”.  De outro lado, esse tipo de sermão é cognitivo porque está focado nas idéias do sermão e tem como pressuposto que se o ouvinte pode aprender a pensar corretamente, então ele também pode viver corretamente.

Anderson comenta sobre essa estrutura de sermão:

 

Sermões não são peças de ficção. Quando pregamos, estamos falando sobre os nossos problemas, os mistérios que nos afligem.  Somos investidos no processo na medida em que tentamos compreender as soluções de Deus para as nossas questões. Quando o sermão termina, somos os que podem viver felizes em face à realidade da verdade que foi mostrada. Tendo ouvido de Deus, somos capazes de sair e realizar o que ele disse. É o nosso mundo que tem estado quebrado e o nosso mundo que foi consertado – ao menos em certo grau.[ii]

 (djj)


[i] Anderson, 161.

[ii] Anderson, 163

Formatando o sermão

Um dos expoentes da homilética norte-americana, Fred B. Craddock, argumenta que nenhuma forma é tão boa que eventualmente não venha a se tornar entediante para o ouvinte e o pregador.  A repetição tende a erodir a vitalidade do sermão.  Por isso, o pregador deveria encontrar e empregar novas formas para o que já é familiar.  Somente assim a “a mesma forma antiga” não será sinônimo de “o mesmo sermão antigo”.[i]

Já Bauermann diz que mais de um método deveria fazer parte do repertório do pregador.  Previsibilidade do púlpito é mortal para o ouvinte. Variedade, surpresa e mesmo novidade são imperativos para que os ouvintes sejam envolvidos, desafiados, revigorados pela Palavra de Deus.  Muitos ouvintes “têm ouvidos e não ouvem, tem olhos e não vêem por causa de pregação rotinizada”.[ii] 

Talvez o principal foco da variedade da pregação seja então a questão do formato do sermão. Diante de tantas possibilidades, onde o pregador deve investir seu tempo e energia? Quais formatos? (djj)


[i] Craddock, preaching 177

[ii] Bauermann, 85, 87