> Ajudando a “ver”

Pregação trechos

“Assim, na pregação, a imaginação pode ser vista como a faculdade de criar experiências sensórias a fim de auxiliar o pregador a “projetar-se para dentro da experiência de outros e… ajudá-los a colocar a verdade em imagens que… podem ver, até sentir”.[i]  Isso sugere a ação de encarnar ideias abstratas em imagens, figuras, narrativas, em realidade concreta – para utilizar a figura bíblica: o Verbo (a Palavra) se fez carne.  É colocar a verdade em imagens que transformam os ouvidos em olhos.”

[i] Luccok, Halford E. In the Minister’s Workshop. Nashville: Abingdon, 1954, p. 113. McCullough, Donald W., Novel Insights: Truth is Stronger With Fiction, Leadership, Primavera, 1990, pp. 34-36, diz: “Se você quer que as pessoas escutem, ajude-as a verem”.

> Livros 02

Dica de leitura 03

Alyce M. McKenzie é uma teóloga norte-americana que atua especialmente na área da educação de comunicadores da Palavra de Deus – como pregadores ou professores de ensino religioso.  Seus escritos giram basicamente em torno de dois eixos: “sabedoria” (sapiência – como o livro de Provérbios, do Antigo Testamento) e criatividade na proclamação da Escritura.
Seu último livro, Novel Preaching, de 2010, mostra como os pregadores podem aprender a comunicar a Palavra usando técnicas de escritores de romances.

Esta abordagem não é nova. Um dos pioneiros no uso da literatura secular como “fonte de inspiração” foi o teóloge5ec923f8da019a154b7a010.Lo luterano Francis Rossow, professor de homilética durante muitos anos no Concordia Seminary de Saint Louis, Missouri, Eua.  Todavia, a autora traz dicas importantes para pregadores, especialmente.

Mas indo ao que importa: Na Dica de Leitura de hoje, um livro da teóloga para pregadores e professores (infelizmente, apenas em inglês): Hear and be wise – Becoming a preacher and teacher of wisdom. (Ouça e seja sábio – Tornando-se um pregador e professor sábio – ou de sabedoria). Foi publicado em 2004 pela Abingdon Press, dos EUA.
Segundo Alyce, um dos papeis pastorais que muitas vezes é relegado a um segundo plano é o de ser um “ensinador sábio”, que é capaz de fazer com que seus ouvintes “ouçam e sejam sábios”.  Ela indica quatro qualidades que ajudam para que isto possa acontecer: joelhos dobrados (oração), coração aberto (ouvinte), mente aberta e voz corajosa.
Ao desdobrar estas qualidades, a autora coloca quatro ingredientes que julga importantes na proclamação da Palavra:
a) O emprego do sensorial – replicando a vida humana – por meio de imagens, metáforas, histórias conectadas com as emoções e o intelecto das pessoas.
b) O uso de experiências na primeira pessoa, mas sem apelo narcisista.
c) O ensino sem chatice.
d) A abordagem de questões controversas – sem defensividade e abertura para o diálogo.

Nas 208 páginas do livro, a autora, além da teoria, traz um bom número de exemplos. O livro bíblico bíblico de Provérbios é um referencial recorrente, tanto em termos teóricos como práticos.  Os recursos de  ensinos de Jesus também aparecem com frequência.

Um mundo de histórias

Histórias – romances, parábolas, ilustrações, anedotas, novelas, filmes, etc. – fazem parte da humanidade desde o princípio.  Vivemos num mundo de histórias – histórias que estão nos são constantemente sendo contadas e histórias que nos contamos a nós mesmos.  É da natureza humana criar representações simbólicas que encapsulam experiências de vida.  Elas explicam o mundo para nós e de uma pessoa a outra.  Elas ajudam a construir nossa visão de mundo, mostrando que existe muito mais além dos limites da nossa experiência.  Com isso, criam imagens em nossa mente e nos abrem para novas experiências, realidades, épocas.  As histórias que ouvimos e contamos, a nós e a outros, são nossa principal maneira de simbolizar, de transformar em sentido o que acontece conosco.  Elas são como presentes que embalamos e passamos adiante, de pessoa para pessoa, de geração para geração.  (djj)