> O que você vê?

Pregação trechos

Um exemplo para concluir este Capítulo: uma das mais belas e significativas amostras  do uso da imaginação  a serviço da comunicação de Deus está na própria Bíblia, no livro do profeta Amós. O exemplo de Amós mostra a importância de você, pregador, observar a realidade que está ao seu redor e dela retirar recursos criativos para os seus sermões.

O profeta Amós tem uma série de visões. A certa altura,  ele tem a visão do prumo. Deus estava perto de um muro construído direito e tinha um prumo na mão. Ele então pergunta:

– Amós, o que é que você está vendo?
– Um prumo – ele respondeu. Então Deus disse ao profeta:
– Eu vou mostrar que o meu povo não anda direito: é como um muro torto, construído  fora de prumo…

Depois, Amós tem outra visão. Deus pergunta:
Amós, o que é que você está vendo? Ele respondeu:
– Uma cesta cheia de frutas maduras! Então Deus disse:
– Chegou o fim para o povo de Israel, que está maduro,  pronto para ser ar- rancado como uma fruta madura…  (Amós 7.8;8.2,  NTLH)

Veja: Um prumo e uma cesta de frutas maduras. Coisas simples, elementos do cotidiano que, a princípio, não possuem outro significado além do convencionado. Mas de repente elas passam a ter outro significado. Através do recurso da imaginação,  elas se tornam  recursos estupendos para revelar a vontade de Deus e para comunicar a Palavra divina.

Por isso, pregador, o que você vê? Raios explodindo num céu negro? O que dizem para você? Folhas secas esparramadas pelo chão no outono?  O que elas sugerem para você? Uma criança imaginativamente brincando de ser motorista? O que ela mostra para você sobre a imaginação?

O que você vê, pregador? Treine a sua  observação:  Olhe atenta  e imaginativamente  ao seu redor e repare os fatos, as imagens,  os sons,  os cheiros – o que você pode utilizar  para encarnar  a voz de Deus, ir ao encontro  dos seus ouvintes, dar vida nova à sua pregação?

> Livro 20: Pregando uma Palavra “escanteada”

Dica de leitura 03

Walter Brueggemann é um teólogo norte-americano, especialista no texto bíblico do Antigo Testamento e autor de dezenas de livros.  Alguns poucos foram traduzidos para o Português (“Imaginação Profética” talvez seja o mais conhecido).  Tornou-se uma referência em estudos teológicos na sua área.  Imagem
Exegeta em essência, Brueggemann aproxima-se em vários momentos da proclamação da Palavra, especialmente a pregação.  É o caso do seu livro “The Word Militant – Preaching a Decentering Word” (algo como: “A Palavra militante – pregando uma Palavra fora do centro”.  Foi publicado pela Fortress Press, EUA, em 2007. Tem 212 páginas.
Trata-se de uma coletânea de artigos que gravitam em torno da pregação (proclamação) cristã em diferentes níveis.
Em tradução livre, os artigos (capítulos) são estes:
– Em perigo com o Texto
– A pregação como reimaginação
– O pregador, o texto e as pessoas
– A forma de falar antiga e o ouvir contemporâneo
– Um “ou” imaginativo
– Que a Palavra possa ser reescrita
– A natureza social do texto bíblico para a pregação
– A voz gritante de uma festa ferida
– Vida ou morte: comunicação des-privilegiada
– Pregando para exilados
– Pregando uma “sub-versão”
– Contando a verdade como uma obediência subversiva

Uma citação de Walter no blogue http://cleverchristian.blogspot.com.br/search/label/Drops%20sobre%20serm%C3%A3o

“Temos que manter a nossa fala próxima da realidade e distante de toda a abstração. Temos que evitar a coerção. Simplesmente possuímos uma verdade diferente para dizer a respeito das nossas vidas e devemos contar isto para que as pessoas vejam o quanto há de relevância. A igreja tem sido muito distante da realidade vivida, enquanto a Bíblia nunca é remota”.

> Livro 13: Pregação encarnacional

Dica de leitura 03

A expressão “pregação encarnacional” é bastante usada em vários segmentos homiléticos.  Ela se refere ao esforço do pregador de “encarnar” a Palavra de Deus, de se “tornar” a mensagem de Deus da Escritura Sagrada.  Este é o foco principal do livro de David Day – Preaching witt All You’ve Got: Embodying the Word (“Pregando com tudo o que você tem – Encarnando aImagem Palavra”).  Foi publicado nos EUA em 2006 pela Hendrickson.  Tem 186 páginas.

A imagem da “encarnação” permeia todas as quatro partes e os 18 capítulos do livro.  David começa abordando com a Palavra de Deus que deve primeiro se encarnar no pregador.  Nesta parte, ele aborda questões relacionadas com a personalidade e a atitude do pregador, no e fora do púlpito.  Um dos capítulos aborda a Bíblia e a imaginação.

Na segunda parte, o autor escreve sobre “a Palavra encarnada em palavras”.  Aqui, ele aborda questões como histórias, imagens, metáforas, metáforas, ilustrações, etc.  O ponto de partida é o próprio caráter da Bíblia, que está repleta de recursos imaginativos e criativos.

A contextualização (encarnação no mundo) da Palavra de Deus é um dos focos da Parte 3.  Além de apontar para a necessidade da aplicação da Palavra à realidade do ouvintes, David também avaliar ferramentas disponíveis que podem auxiliar neste processo, como artes visuais, objetos e informática.

A parte final lida com “a Palavra encarnada nos ouvintes”.  São dois capítulos: “Pregando com a congregação” e “Pregando para uma resposta”.

Na chamada de contra capa do livro está colocado o seguinte: “Pregação encarnacional convida pregadores a ‘encarnar a Palavra’ tornando-se sua mensagem por meio de transparência pessoal, histórias contadas com imaginação, metáforas iluminadoras e o uso vívido de imagens”.

Nota 1: Eu me refiro à “pregação encarnacional” em alguns capítulos do meu livro Pregação Criativa (como no 6). A ênfase é a mesma do que a propugnada por David Day.

Nota 2: O autor também escreveu um manual homilético: “A Preaching Workbook”.  A última edição é de 2004 e foi publicada pela  SPCK Publishing, de Londres.

> A importância de uma palavra

Pregação trechos

Warren Wiersbe diz que cada palavra-chave no Novo Testamento é como uma pequena figura em um grande quadro, ou seja, pertence a um contexto cultural em que as palavras estão relacionadas umas com as outras.  A palavra justificação, por exemplo,  pertencia ao tribunal antes que fosse movida a um seminário.  O termo redenção nasceu no contexto da escravidão grega e romana.  A expressão “nascido de novo” era familiar aos gregos.  O sentido original das palavras e expressões gregas do Novo Testamento são um recurso que  traz luz sobre qualquer sermão hoje, mas especialmente sobre os sermões sobre dutrinas bíblicas.  Por isso, ele conclui, o pregador que não estuda palavras – inclusive as de sua língua nativa – “rouba de si próprio uma ferramenta eficaz para comunicar a verdade.  Não é acidental que alguns dos pregadores mais eficazes eram estudantes de palavras, leitores de dicionários e fãs de palavras-cruzadas.”[i]

[i] Wiersbe, Warren W. “Imagination: The Preacher’s Neglected Ally”. Leadership, v. IV, n.º 2, 1983, pp. 22-27.

> O exercício da imaginação

” O primeiro passo para um ministério mais criativo é agradecer a Deus por lhe dar uma imaCre 01ginação e pedir que ele lhe ajude a exercitar essa imaginação para que ela seja usada pelo Espírito como uma força criativa em sua vida. A cada manhã, em meu momento particular de devoção, eu coloco diante de Deus o meu corpo, a mente, a vontade, o coração, e a imaginação (Rm 12.1,2) e peço a ele que me use para ser um transformador e não um conformador,  um criador, e não um destruidor.  Estudando, pregando, escrevendo, aconselhando ou conversando com amigos, eu quero que a minha imaginação me enriqueça e me ajude a ter o discernimento para ministrar o melhor que posso.”[i]
[i]
Wierbse, Preaching & Teaching with Imagination, pp. 290, 291.

> O papel da imaginação

Pregação trechos

Um dos principais “combustíveis” para a criatividade é a imaginação.  Ela permite criar ideias abstratas e está intimamente associado à capacidade de criação.  Ela é o instrumento utilizado para ampliar os parâmetros da experiência e vislumbrar novos caminhos.  Os avanços do ser humano nas mais diferentes áreas sempre iniciaram (iniciam) com conceitos ou combinações até então desconhecidos ou separados de alguma forma.  “A mente do inventor simplesmente pegou fragmentos de ideias familiares e, a partir delas, criou algo que não apenas não era familiar, mas também não existente.”[i]


[i] Tozer, A. W. “The value of a sanctified imagination”. In: Wiersbe, Warren W, ed. Developing a Christian Imagination – An Interpretative Anthology. Wheaton: Victor Books, 1995, pp. 211-214.