Correlação no par Lei e Evangelho

Umas das formas de variar o uso de formulações de Lei e Evangelho é a correlação. O modo como o a Lei é pregada precisa ter a sua correlação bíblica de como o Evangelho é proclamado. Pode-se dizer que a mensagem bíblica pode ser comprimida em três grandes blocos de correlações: culpa e perdão, derrota e vitória, obediência e poder.
A Lei é um poderoso martelo de Deus para mostrar aos seres humanos a sua culpa sob o signo do pecado. Através dele, o Criador nos convence do pecado e da nossa incapacidade de realizar qualquer obra significativa para alterar a situação. Já o Evangelho garante o perdão de Deus e conforta a consciência. Ele anuncia o amor de Deus em Jesus Cristo, que absorveu toda a ira de Deus em relação ao pecado.
Em outro plano, a Lei não apenas acusa, mas também revela. Ela mostra a situação humana de vazio, ansiedade, frustração, carência por causa do pecado. Ela remove as máscaras que usamos para esconder a nossa verdadeira situação. Ela mostra a nossa miséria e derrota. De outro lado, o Evangelho anuncia que temos vitória, apesar do pecado. Para cada máscara que a Lei faz cair, o Evangelho mostra uma nova situação, uma nova vida. A vitória de Cristo é a vitória de quem crê nele como Salvador. Com ele, a vida passa a ter sentido, rumo.
A terceira correlação é obediência e poder. A Lei requer que continue a ser obedecida para que possa ter relevância na vida dos crentes. Essa busca por obediência é uma conseqüência da graça de Deus. Embora não seja necessária para a salvação, é necessária para a vida cristã diante de Deus. A Lei pode guiar, mas não concede a capacidade de realizá-la. Quem dá o poder para obedecer a Deus é o Evangelho. Ele não requer uma resposta obediente, mas a cria. Ele aponta para o poder que emana da obra redentora de Deus e para o poder que reside na Palavra e nos Sacramentos.
(djj)

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Mesmice no Evangelho

Fica evidente que pregar o Evangelho – e com criatividade – normalmente parece mais difícil.  Por ser imutável, fixo, parece familiar demais – um sério candidato a ser um clichê e entediar os ouvintes com mesmice e frustrar o pregador.  É muito fácil o pregador, tendo desenvolvido dois ou três modos de apresentar o Evangelho, acostumar-se a eles.  E aí, rotineiramente, a certa altura do sermão, “ele aciona um botão imaginário e lá surge o que pode soar como uma fórmula de Evangelho pré-gravada”[i]  (djj)


[i] Rossow, Unitentional Gospel-Omissions in Our Preaching, Concordia Journal v. 5, nº 1, 1979, 8-12.  Esta situação talvez ajude a explicar – não justificar! – porque muitos sermões parecem mais más-novas do que Boas-Novas.  A presença de dor, pecado e diabo é mais marcante do que a presença da graça de Deus (veja Motl, James R. Homiletics and Integrating the Seminary Curriculum. Worship, v. 64, nº1, janeiro de 1990, pp, 24-30).  O pregador faz bem em constantemente revisar o clássico de C.F.W.Walther, Lei e Evangelho (Porto Alegre: Concordia, 1977; preferencialmente o texto integral em inglês, The Proper Distinction Between Law and Gospel, 14º impressão. Saint Louis: Concordia, 1986).  Dois estudos contemporâneos úteis são: Stuempfle, Herman G. Preaching Law and Gospel. Philadelphia: Fortress Press, 1978; Lischer, Richard, A Theology of Preaching: The Dynamics of the Gospel. Nashville: Abingdon, 1981.

Rotina na Lei e no Evangelho

Fica evidente que pregar o Evangelho – e com criatividade – normalmente parece mais difícil. Por ser imutável, fixo, parece familiar demais – um sério candidato a ser um clichê e entediar os ouvintes com mesmice e frustrar o pregador. É muito fácil o pregador, tendo desenvolvido dois ou três modos de apresentar o Evangelho, acostumar-se a eles. E aí, rotineiramente, a certa altura do sermão, “ele aciona um botão imaginário e lá surge o que pode soar como uma fórmula de Evangelho pré-gravada”
Schimitt detecta este mesmo problema ao dizer que uma forma rotineira de proclamar a Lei e o Evangelho em cada sermão pode fazer com que alguns ouvintes não mais ouçam o que está sendo dito. A repetição de qualquer forma de proclamação pode fazer com que eles parem de prestar atenção nas palavras e se focar no ato do pregador usar a mesmas palavras sempre de novo. Para ilustrar seu ponto, ele conta o exemplo de um pastor que costumava concluir seus sermões apontando para as bênçãos da Santa Ceia e convidando os ouvintes a participarem dela. Seu hábito já havia ficado conhecido entre outros pastores vizinhos. Certo dia aconteceu um encontro pastoral aconteceu na Igreja deste pastor. Um dos participantes perguntou a uma senhora da Comissão de Altar se era verdade que o seu pastor sempre se referia à Santa Ceia no sermão. A sua resposta foi: “Sim, e é desta forma que sabemos que ele já está terminando o sermão.” (djj)