O pregador ouvinte

A maneira de como o pastor e o povo ouvem com atenção um ao outro governa a forma como se relacionam.  Relacionamentos de qualidade somente ocorrem quando o ouvir é franco, atentivo, de qualidade.  Um ouvir superficial, defensivo ou crítico criar relacionamentos insatisfatórios para um contexto de Igreja.  Por isso, a atitude de ouvir é uma condição essencial no pastorado.  Ela e transmitida, de uma forma mais ampla, no dia-a-dia das relações entre pastor e membro, além do texto bíblico e da época litúrgica.  Elementos do sermão começam a nascer neste diálogo ou desse ouvir mútuo prévio.  Chartier exemplifica esta postura:

 

O pregador ouvinte precisa, antes de mais nada, ser um pastor ouvinte.  Como uma pessoa comprometida com Deus, o pastor ministra ouvindo o povo em diversos contextos de vida.  Um pastor pode ouvir para adquirir informação e idéias para futuros sermões; para transmitir cuidado e afirmação para uma pessoa enferma acamada; para ajudar uma pessoa, um casal ou família, compreendendo a sua agonia.  Ao ensinar em grupos de estudo, o pastor pode tentar compreender as questões das pessoas e entendê-las como indivíduos.  Em uma situação de conflito na reunião da diretoria da Igreja, o pastor pode ouvir a fim de diminuir a o atrito e estabelecer confiança.  Em um culto, o pastor pode ouvir ao coral para que possa participar de uma forma mais intensa em uma experiência elevadora com o restante do povo em culto.[i] (djj)


[i] Chartier, op. cit. pp. 45, 46.

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Ouvindo a voz de Deus

Killinger sugere que o chamado do pastor, antes do que falar, e antes do que ouvir, é um chamado ao silêncio.  É um chamado para reconhecer, como fez o profeta Isaías, que os seus lábios não eram merecedores de comunicar a vontade de Deus, pois eram impuros e que habitava em meio de um povo de lábios impuros.  Somente depois que Deus toca os lábios com o seu perdão é que ele pode falar dos seus mistérios (cf. Isaías 6.1-12).[i]

Ficar em silêncio diante de Deus não é fechar os ouvidos.  É ficar quieto, abrir espaços para ouvir a voz de Deus.  Deus é a fonte da mensagem que o pregador deve levar ao povo.  O pregador que não silencia e ouve a voz de Deus é um pregador vazio, sem mensagem, sem chamado.  Ele se torna irrelevante.  (djj)


[i] Killinger, 

O palestrante

Em um encontro de famílias cristãs, um dos assuntos foi comunicação.  Foi enfatizado pelo palestrante que ela sempre é uma via de mão dupla, um dar e receber, um processo de reciprocidade, ouvir e falar. 

A certa altura, ele convidou os participantes a compartilharem problemas de comunicação que enfrentavam em seu dia-a-dia – no trabalho, na escola, no namoro, no casamento, na família, na igreja.  Algumas pessoas deram o seu testemunho sobre dificuldades que enfrentavam em diferentes áreas.  Curiosamente, o pregador notou, a única área que não foi abordada foi a comunicação na igreja.

– Pelo visto, não temos problemas de comunicação na igreja. Está tudo certo entre os membros, as diretorias, os pastores… – disse o palestrante. – Alguém gostaria de dar algum testemunho sobre esta área da vida cristã?

Silêncio.  Por algum motivo, nenhum dos participantes resolveu falar. (djj)