> Livro 25: O pregador revivido

Dica de leitura 03

The Fully Alive Preacher (literalmente “O pregador totalmente vivo”) é, com certeza, um título sugestivo.  O subtítulo ajuda a explicar o “vivo”: Recovering from Homiletical Burnout (“Recuperando-se do estresse homilético”).  A ideia do termo “burnout” é “acabado”, “esgotado”.

Seu autor é Mike Graves, professor de Homilética e Litúrgica em uma faculdade batista dos EUA.  O livro foi publicado em 2006 pela Westminster John Knox Press.  Tem 178 páginas.

Imagem“Pregar com alegria”: esta é a expressão-chave do livro.  O autor parte do pressuposto que a pregação intensiva, pode, ao longo do tempo, levar o pregador a um “sombreamento do espírito”.  Não raras vezes algum pregador levanta às duras penas no domingo de manhã para dirigir o culto e pregar; melhor seria continuar dormindo.  Ele pergunta em certo trecho: “Se a pregação tem o objetivo de avivar a Igreja, por que ela está acabando com tantos pregadores?”

E qual a solução, se existe?  Mais habilidades?  Mais cursos sobre pregação?  Mais leituras de livros sobre homilética?  Não.  O que um pregador assim precisa é mais alma, mais vida.

O livro é, sim, um manual homilético, embora seu objetivo vá além de abordar as técnicas às vezes frias que regem a pregação clássica.  Mas onde está esta “vida”?  É o que Graves deseja responder.  As respostas vêm acompanhadas, ou seguidas, de abordagens tradicionais (e algumas nem tanto) da homilética.

Para chegar ao seu objetivo, o autor faz dois “convites”.  O primeiro é um convite para que o pregar reflita sobre o seu relacionamento com a pregação – alegrias, ansiedades, frustrações, tédio.  O segundo convite é para que o pregador repense a sua abordagem dos pequenos prazeres da vida – como é dito na “apresentação”: convites para caminhar, tirar uma soneca, ler, jogar e comer sobremesa. 

Graves detalha os “convites” em quatro grandes blocos:  a) Estudando as Escrituras; b) Fazendo uma tempestade de ideias; c) Criando uma sequencia; d) Dando vida ao sermão.  Cada bloco tem várias seções, que são concluídas com uma série de perguntas para reflexão pessoal.

Ao longo do livro, o autor também apresenta uma série de sugestões de atividades que o pregador pode realizar como formas de “avivar” a sua visão e disposição em relação à pregação. 

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> O pregador-comunicador

Pregação trechos

“Por que insistir,  então, em criatividade e variedade na pregação? A Palavra precisa  ser ouvida,  porque  a pregação  não  se resume  ao falar,  mas  engloba também  o ouvir. (Romanos 10.14)  Como pastor-comunicador, você tem a responsabilidade  de levar a voz de Deus aos ouvidos, mas o Espírito Santo é que fala ao coração.  A recepção da palavra  pelo ouvinte  é o meio escolhido por Deus para a operação criativa do Espírito Santo. (Romanos 10.17; Hebreus 4.2) A recepção física e emocional do sermão depende do ouvinte, mas também da qualidade  que você impõe à sua  pregação.  Em um contexto  de comunicação dialógica, você tem uma boa parcela de responsabilidade no processo. Se você, por exemplo, não contextualiza a Palavra de Deus, ou repete à exaustão  os mesmos argumentos e formulações  já desgastadas, ou não abre espaços para que os ouvintes  participem ativamente do evento-sermão,  certamente  não colabora  para  uma  recepção de qualidade.  As palavras-chave dessa  busca  são criatividade  e variedade.  São as ferramentas que, empregadas  juntas,  podem ajudá-lo  a desempenhar melhor o papel de comunicador  da Palavra  de Deus. Essas  duas  ênfases  são importantes para  o seu ministério  pastoral.  Em sua humildade  de servo, você quer exaltar o Deus que cria todas as coisas por meio de sua  Palavra e quer ajudar  os ouvintes  a escutarem,  por meio da pregação criativa, a própria voz de Deus.”

O pregador ouvinte

A maneira de como o pastor e o povo ouvem com atenção um ao outro governa a forma como se relacionam.  Relacionamentos de qualidade somente ocorrem quando o ouvir é franco, atentivo, de qualidade.  Um ouvir superficial, defensivo ou crítico criar relacionamentos insatisfatórios para um contexto de Igreja.  Por isso, a atitude de ouvir é uma condição essencial no pastorado.  Ela e transmitida, de uma forma mais ampla, no dia-a-dia das relações entre pastor e membro, além do texto bíblico e da época litúrgica.  Elementos do sermão começam a nascer neste diálogo ou desse ouvir mútuo prévio.  Chartier exemplifica esta postura:

 

O pregador ouvinte precisa, antes de mais nada, ser um pastor ouvinte.  Como uma pessoa comprometida com Deus, o pastor ministra ouvindo o povo em diversos contextos de vida.  Um pastor pode ouvir para adquirir informação e idéias para futuros sermões; para transmitir cuidado e afirmação para uma pessoa enferma acamada; para ajudar uma pessoa, um casal ou família, compreendendo a sua agonia.  Ao ensinar em grupos de estudo, o pastor pode tentar compreender as questões das pessoas e entendê-las como indivíduos.  Em uma situação de conflito na reunião da diretoria da Igreja, o pastor pode ouvir a fim de diminuir a o atrito e estabelecer confiança.  Em um culto, o pastor pode ouvir ao coral para que possa participar de uma forma mais intensa em uma experiência elevadora com o restante do povo em culto.[i] (djj)


[i] Chartier, op. cit. pp. 45, 46.

A comunicação do pastor

O pastor é um mensageiro de Deus.  Deus é a fonte primária da mensagem cristã.  Deus utiliza o pastor (assim como todos os demais fiéis, mas em outro nível) como seu instrumento para comunicar sua Palavra às pessoas.  Ele não pode ser um mensageiro de Deus sem ser um comunicador dele. Ser um comunicador não é uma atividade ministerial no sentido de que foi determinada por Deus.  Contudo, como o ministro religioso não pode não comunicar, seu ministério é caracterizado e desenvolvido através de contínuos atos de comunicação.  A comunicação é inerente ao ministério pastoral.A faceta mais visível do pastor como comunicador é a pregação ou o sermão.  De um lado, ele tem por detrás de si a tradição da Igreja Cristã que, seguindo o modelo bíblico, tem mantido a pregação como uma atividade básica, fundamental do povo de Deus.  De outro lado, ele se coloca diante do povo como um discurso oral, valendo-se de técnicas da oratória e de outros recursos para comunicar a Palavra de Deus e se comunicar com os seus ouvintes.  Através do sermão  é restaurada – mesmo que ainda sob o signo do pecado – a comunicação original de Deus, interrompida pela Queda, no Jardim do Éden.  Deus vem, se revela, se comunica, através da sua Palavra proclamada e envolve o pregador e o ouvinte.  (djj)