> Livro 30: Pregador, não deixe o ouvinte dormir!

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O livro “Saving Eutychus: How to Preach God’s Word and Keep People Awake” (algo como: “Salvando Êutico: Como pregar a Palavra de Deus e manter as pessoas acordadas”) é recente, de 2013. Seus autores são Gary Millar e Phil Campbell. Foi publicado pela editora MImagematthias Media USA. Tem 172 páginas.

O título do livro é sugestivo porque remete a um relato do Novo Testamento – Atos 20.7-11. Durante uma das suas viagens missionárias, o apóstolo Paulo estava pregando. A certa altura, um dos presentes, Êutico, dormiu e caiu da janela do terceiro andar e morreu (leia na Bíblia o desfecho).

Claro que o título é baseado em um argumento falacioso – mas é uma “brincadeira séria”. O “gancho” aqui é que o pregador se prepare bem para que os “êuticos” da sua igreja não durmam durante a pregação. O livro oferece argumentos honestos e práticos para que o pregador pregue a Palavra com fidelidade e novidade.

O livro também traz sermões dos autores e observações mútuas. Além disto, oferece uma planilha de avaliação de um sermão e diversos diagramas úteis.

> A base da pregação cristã

Pregação trechos

Você normalmente prega tendo como base apenas um texto bíblico?  Na pregação dita tradicional, essa é a “regra”.  Mas nada impede que você também exercite a sua criatividade de proclamar a criativa Palavra de Deus através uso de múltiplos textos, ou pela justaposição de textos.  

O uso de múltiplos textos ou de textos justapostos na pregação pode, a princípio, parecer estranho se você está acostumado a utilizar apenas um texto.  Mas este recurso homilético apresenta características interessantes e que podem resultar, com a prática,  em abordagens criativas e variadas.  O tratamento dialético imposto pela da presença de dois ou mais textos pode resultar em uma nova ideia, que poderia não surgir de outra forma.

 

> Livro 12: Pregação experimental

Dica de leitura 03

A história da Homilética ou da pregação começou a dar uma forte guinada na década de 1970.  Foi nesta época que começou a surgiu o que ficou conhecido como “a nova homilética”.

ImagemUma das bandeiras deste “movimento” era a variedade na formatação dos sermões – até então largamente baseados na retórica greco-romana.  Uma das primeiras coletâneas desses novos formatos apareceu no livro Pregação Experimental, publicado em 1973.[i]

Na apresentação, o editor, John Killinger, justifica a coletânea dizendo que, quando um sermão de domingo de manhã é uma cópia de outro sermão, que por sua vez é uma cópia de outro sermão, é tempo de mudança.  Para ele, as formas experimentais na pregação na verdade não eram nada realmente novo, pois sempre houve experimentação entre os pregadores. Em todas as épocas, houve inventividade: os atos simbólicos de Jeremias, a exposição bíblica de Orígenes, o methodus heroica (ou anúncio da palavra de Deus revestido de autoridade apostólica) de Martinho Lutero, etc.

O livro oferece cerca de duas dezenas de exemplos (sermões ou esboços) que são uma amostra da mudança de paradigmas homiléticos que estava em curso na época.  Os títulos dão uma ideia da “experimentação”: “2001: a Igreja revisitada”; “A parábola ‘Detroit’”; “As cores do culto”; “Jesus demais”.

Killinger, John, ed.  Experimental Preaching. Nashville: Abingdon Press, 1973. Killenger publicou um segundo volume dois anos mais tarde: The 11 O’Clock News & Other Experimental Sermons. Nashville: Abingdon Press, 1975.

Jesus, o Segundo Adão

Jesus como o segundo Adão é uma imagem pouco utilizada em pregações. Todavia, a comparação entre Adão e Cristo – feita por Paulo em 1 Coríntios 5 – oferece uma importante ferramenta para a proclamação de Lei e, especialmente, de Evangelho.
Paulo considera Adão “pai da humanidade” e diz que através dele o pecado entrou no mundo. A obra vicária de Cristo reverteu a destruição do relacionamento que existia entre o Criador e a criatura antes da queda em pecado.
O primeiro Adão causou a morte. O segundo Adão enfrentou essa morte e a venceu. O Adão do Éden introduziu o pecado para o mundo. O Adão do Getsêmani é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). O primeiro Adão foi o responsável pelo rompimento com o Criador. O segundo Adão é o agente de restauração e reconciliação. “Porque, como, pela desobediência de um só homem [o primeiro Adão] muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só [o segundo Adão], muitos se tornarão justos” (Romanos 5.19).
Obviamente, você precisa avaliar quando e como para falar de Jesus como o segundo Adão. É possível que a comparação não seja evidente para o ouvinte. Talvez ele até conheça alguns detalhes da história Bíblia do primeiro Adão, mas não o suficiente para que possa compreender a importância e a grandeza da obra vicária de Cristo. Talvez seja necessário indicar claramente os pontos de comparação entre os dois Adãos
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Correlação no par Lei e Evangelho

Umas das formas de variar o uso de formulações de Lei e Evangelho é a correlação. O modo como o a Lei é pregada precisa ter a sua correlação bíblica de como o Evangelho é proclamado. Pode-se dizer que a mensagem bíblica pode ser comprimida em três grandes blocos de correlações: culpa e perdão, derrota e vitória, obediência e poder.
A Lei é um poderoso martelo de Deus para mostrar aos seres humanos a sua culpa sob o signo do pecado. Através dele, o Criador nos convence do pecado e da nossa incapacidade de realizar qualquer obra significativa para alterar a situação. Já o Evangelho garante o perdão de Deus e conforta a consciência. Ele anuncia o amor de Deus em Jesus Cristo, que absorveu toda a ira de Deus em relação ao pecado.
Em outro plano, a Lei não apenas acusa, mas também revela. Ela mostra a situação humana de vazio, ansiedade, frustração, carência por causa do pecado. Ela remove as máscaras que usamos para esconder a nossa verdadeira situação. Ela mostra a nossa miséria e derrota. De outro lado, o Evangelho anuncia que temos vitória, apesar do pecado. Para cada máscara que a Lei faz cair, o Evangelho mostra uma nova situação, uma nova vida. A vitória de Cristo é a vitória de quem crê nele como Salvador. Com ele, a vida passa a ter sentido, rumo.
A terceira correlação é obediência e poder. A Lei requer que continue a ser obedecida para que possa ter relevância na vida dos crentes. Essa busca por obediência é uma conseqüência da graça de Deus. Embora não seja necessária para a salvação, é necessária para a vida cristã diante de Deus. A Lei pode guiar, mas não concede a capacidade de realizá-la. Quem dá o poder para obedecer a Deus é o Evangelho. Ele não requer uma resposta obediente, mas a cria. Ele aponta para o poder que emana da obra redentora de Deus e para o poder que reside na Palavra e nos Sacramentos.
(djj)

Mesmice no Evangelho

Fica evidente que pregar o Evangelho – e com criatividade – normalmente parece mais difícil.  Por ser imutável, fixo, parece familiar demais – um sério candidato a ser um clichê e entediar os ouvintes com mesmice e frustrar o pregador.  É muito fácil o pregador, tendo desenvolvido dois ou três modos de apresentar o Evangelho, acostumar-se a eles.  E aí, rotineiramente, a certa altura do sermão, “ele aciona um botão imaginário e lá surge o que pode soar como uma fórmula de Evangelho pré-gravada”[i]  (djj)


[i] Rossow, Unitentional Gospel-Omissions in Our Preaching, Concordia Journal v. 5, nº 1, 1979, 8-12.  Esta situação talvez ajude a explicar – não justificar! – porque muitos sermões parecem mais más-novas do que Boas-Novas.  A presença de dor, pecado e diabo é mais marcante do que a presença da graça de Deus (veja Motl, James R. Homiletics and Integrating the Seminary Curriculum. Worship, v. 64, nº1, janeiro de 1990, pp, 24-30).  O pregador faz bem em constantemente revisar o clássico de C.F.W.Walther, Lei e Evangelho (Porto Alegre: Concordia, 1977; preferencialmente o texto integral em inglês, The Proper Distinction Between Law and Gospel, 14º impressão. Saint Louis: Concordia, 1986).  Dois estudos contemporâneos úteis são: Stuempfle, Herman G. Preaching Law and Gospel. Philadelphia: Fortress Press, 1978; Lischer, Richard, A Theology of Preaching: The Dynamics of the Gospel. Nashville: Abingdon, 1981.