> Livro 20: Pregando uma Palavra “escanteada”

Dica de leitura 03

Walter Brueggemann é um teólogo norte-americano, especialista no texto bíblico do Antigo Testamento e autor de dezenas de livros.  Alguns poucos foram traduzidos para o Português (“Imaginação Profética” talvez seja o mais conhecido).  Tornou-se uma referência em estudos teológicos na sua área.  Imagem
Exegeta em essência, Brueggemann aproxima-se em vários momentos da proclamação da Palavra, especialmente a pregação.  É o caso do seu livro “The Word Militant – Preaching a Decentering Word” (algo como: “A Palavra militante – pregando uma Palavra fora do centro”.  Foi publicado pela Fortress Press, EUA, em 2007. Tem 212 páginas.
Trata-se de uma coletânea de artigos que gravitam em torno da pregação (proclamação) cristã em diferentes níveis.
Em tradução livre, os artigos (capítulos) são estes:
– Em perigo com o Texto
– A pregação como reimaginação
– O pregador, o texto e as pessoas
– A forma de falar antiga e o ouvir contemporâneo
– Um “ou” imaginativo
– Que a Palavra possa ser reescrita
– A natureza social do texto bíblico para a pregação
– A voz gritante de uma festa ferida
– Vida ou morte: comunicação des-privilegiada
– Pregando para exilados
– Pregando uma “sub-versão”
– Contando a verdade como uma obediência subversiva

Uma citação de Walter no blogue http://cleverchristian.blogspot.com.br/search/label/Drops%20sobre%20serm%C3%A3o

“Temos que manter a nossa fala próxima da realidade e distante de toda a abstração. Temos que evitar a coerção. Simplesmente possuímos uma verdade diferente para dizer a respeito das nossas vidas e devemos contar isto para que as pessoas vejam o quanto há de relevância. A igreja tem sido muito distante da realidade vivida, enquanto a Bíblia nunca é remota”.

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Conclusão & Aplicação

Conclusão e aplicação (que alguns chamam de “apelo”) são a mesma coisa em um sermão?  Alguns manuais de homilética falam apenas em aplicação e outros apenas em conclusão. Já outros, tratam dos dois assuntos, normalmente de forma distinta. Assim é possível encontrar ao menos três respostas para esta pergunta. 

A primeira é “não”.  Alguns homiletas fazem uma nítida distinção entre os dois.  Após o desenvolvimento vem a aplicação e depois uma conclusão formal.

A primeira é “em termos”.  Sermões que costumam ser estruturados em dois ou mais blocos, partes ou pontos principais, via de regra apresentam alguma aplicação no final de cada um deles. A parte inicia com o “então” e termina com o “agora”.  Alguns homiletas vão além, prevendo a possibilidade de inclusão a qualquer momento: “Aplicações sermônicas podem aparecer em qualquer ponto do sermão… Aplicações ocorrem no início, inseridas durante a mensagem, ou aparecem na conclusão do sermão.”[i]  Ou seja, embora existam aplicações ao longo do desenvolvimento, no final da última parte a aplicação pode se transformar em conclusão, ou vice-versa. 

A terceira é “sim”.  Alguns formatos de sermão possuem apenas três blocos básicos: introdução, desenvolvimento e conclusão.  Nestes casos, é comum a aplicação e a conclusão se mesclarem, se tornando uma única e mesma coisa.  Sermões de caráter indutivo também costumam seguir este padrão final. (djj)


[i] Baumann, 253.