> Formas de comunicar a “antiga” mensagem

Pregação trechos

A variedade no texto das Escrituras aponta para a liberdade que o pregador tem de diversificar os formatos e estilos que usa para proclamar a Boa-nova.  O pregador pode escolher a forma mais apropriada para apresentar um aspecto diferente da mensagem bíblica.  Por isso, tomar consciência da existência de formas alternativas pode sensibilizar o pregador a considerar novas opções.  O pregador de hoje precisa estar constantemente atento para novas maneiras de compartilhar a antiga história – que é sempre nova.

Considerando a grande variedade de formas pelas  quais Deus fala na Bíblia,  Gerard Knoche diz que é surpreendente como existem pregadores “casados” com um modelo de esboço com três pontos (ou “partes”) e um poema (ou uma “ilustração”).  A perspectiva de “ganhar o interesse da congregação ou apresentar um testemunho mais pessoal – ou até para tornar o meio a mensagem – variedade na forma do sermão… parece ser ‘um caminho não percorrido’ na maioria dos púlpitos.”*

*  Knoche, Gerard H. The Creative Task – Writing the Sermon. Saint Louis: Concordia, 1977, p. 29

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> Livro 14: Pregação pura e simples

Dica de leitura 03

Manuais homiléticos ou de pregação são comuns.  Alguns resistiram ao tempo e se tornaram clássicos. Um dos mais recentes (de 2005, com reedição em 2007 é o de Stuart Olyott – Preaching pure and simple.  Foi publicado pela Bryntirion, de Wales, Reino Unido.  Tem 192 páginas.

A proposta do autor é objetiva: indicar caminhos seguros e simples para a elaboração e entrega de sermões.  BoImagema parte dos temas tratados está presente em outros manuais.

Na Parte 1, Stuart comenta sobre “o que é pregação”.  Na segunda, a mais vasta e importante, ele lida com estes assuntos: Acuracidade exegética; Substância doutrinária; Estrutura clara; Ilustração vívida; Aplicação no alvo; Entrega que ajude o ouvinte a ouvir e entender; Autoridade sobrenatural.  Neste bloco, cada um dos capítulos traz uma série de três perguntas e/ou atividades práticas para complementação do estudo.

Na terceira e última parte, o autor traz um esboço de um método para a preparação de sermões e uma homenagem a um pregador já falecido, Hugh D. Morgan, que em suas pregações exemplificou os princípios detalhados no livro.

Trecho traduzido: “Muitos sermões hoje são como o badalar de um sino de um funeral.  O conteúdo é satisfatório, mas o coração do pregador nunca é visto.  Não existe risco de que tais pregadores um dia serão acusados de alarme falso ou fanatismo, pois não existe evidência de que algum tipo de chama está ardendo dentro deles” (pág. 153).

> “Encontre alguma coisa que lhe inspire –

… pode ser música, filme, literatura, natureza, ou outra coisa – mas encontre algo que lhe inspire.  Depois que você encontrou alguma coisa inspiradora, passe um tempo com ela a cada semana.  Vá ao cinema. Ouça música. Leia um livre. Passe um tempo junto à natureza. Brinque com os seus filhos.  Não olhe para este tempo como um trabalho.  Não vá ao cinema ou comece a ler um livro pensando que você vai encontrar uma ilustração para um sermão.  Faça estas coisas porque você gosta delas; porque elas lhe inspiram.”

Fonte: http://resurrectedliving.wordpress.com/2012/04/09/tips-for-creative-preaching/

Respeito ao ouvinte

Ilustrações que ofendem o ouvinte ou o senso comum também têm seu efeito positivo prejudicado.  Uma ilustração com víeis racista se encaixa no grupo das histórias que devem ser evitadas. O mesmo vale para ilustrações que de alguma forma podem afetar a sensibilidade dos ouvintes (gênero, raça, idade, etc.). Elas não convencem porque ofendem. Elas são consciente ou inconscientemente rejeitadas.

Um pastor contou que resolveu ilustrar certo ponto do sermão usando a idade como referência.  Seu ponto de comparação começou mais ou menos assim: “Dizem que quando as pessoas envelhecem, a partir dos 60 anos, ficam cada vez mais teimosas. É o caso da senhora Maria… (Aqui ele contou uma história envolvendo esta senhora de 70 anos) A mesma coisa pode acontecer com cristãos.  Eles podem desenvolver a teimosia diante dos mandamentos de Deus. Eles não querem saber deles…”

Depois do culto, o uma senhora veio conversar com o pastor.

– Pastor, eu sou uma mulher idosa, com mais de 75 anos, e não me considero uma pessoa teimosa. Muito pelo contrário… E outra coisa: quero lembrar que o senhor já está com mais de 65 anos!…

O ouvinte também precisa ser respeito em sua intimidade, diz Craddock.  O pregador deve evitar o uso de eventos ou diálogos resultantes de um contexto de aconselhamento pastoral.  O que é privado deve permanecer assim, assim com o que foi dito em um contexto de sigilo.  Dificilmente uma pessoa conversará com o pastor se o conteúdo do diálogo tem chances de chegar ao púlpito no próximo sermão.  Até mesmo eventos de outros locais de trabalho do pastor devem ser utilizados com precaução.  Assim que os ouvintes verem que o pregador tem esta prática, eles evitarão compartilhar certos assuntos com ele, receosos de que irão figurar no púlpito do próximo (eventual) local de trabalho.  A regra geral deve ser a de utilizar apenas o material que é público.  Se não há risco de dor ou embaraço, ele pode ser compartilhado.[i] (djj)


[i] Craddock, Preaching, 207.

Forçando ilustrações

“Nós pregadores, na maioria das vezes, temos uma teologia correta em nossos sermões, mas tendemos a sermos horrivelmente entediantes.  O que precisamos é de exemplos e ilustrações mais interessantes.  ‘Não me conte a verdade! Mostre-me a verdade!’, é o apelo.  E então vamos lá e compramos outro livro de ilustrações e ficamos certos de que eles transmitirão a verdade para os nossos ouvintes.  Às vezes elas fazem isso, mas na maioria das vezes, eu suponho, elas são forçadas para dentro do texto, deixando arrestas demais sem aparar”  (But what does it feel like, preacher?  Richard G. Kapfer. Concordia Journal, April de 1990, pp 137-150)