> Livro 14: Pregação pura e simples

Dica de leitura 03

Manuais homiléticos ou de pregação são comuns.  Alguns resistiram ao tempo e se tornaram clássicos. Um dos mais recentes (de 2005, com reedição em 2007 é o de Stuart Olyott – Preaching pure and simple.  Foi publicado pela Bryntirion, de Wales, Reino Unido.  Tem 192 páginas.

A proposta do autor é objetiva: indicar caminhos seguros e simples para a elaboração e entrega de sermões.  BoImagema parte dos temas tratados está presente em outros manuais.

Na Parte 1, Stuart comenta sobre “o que é pregação”.  Na segunda, a mais vasta e importante, ele lida com estes assuntos: Acuracidade exegética; Substância doutrinária; Estrutura clara; Ilustração vívida; Aplicação no alvo; Entrega que ajude o ouvinte a ouvir e entender; Autoridade sobrenatural.  Neste bloco, cada um dos capítulos traz uma série de três perguntas e/ou atividades práticas para complementação do estudo.

Na terceira e última parte, o autor traz um esboço de um método para a preparação de sermões e uma homenagem a um pregador já falecido, Hugh D. Morgan, que em suas pregações exemplificou os princípios detalhados no livro.

Trecho traduzido: “Muitos sermões hoje são como o badalar de um sino de um funeral.  O conteúdo é satisfatório, mas o coração do pregador nunca é visto.  Não existe risco de que tais pregadores um dia serão acusados de alarme falso ou fanatismo, pois não existe evidência de que algum tipo de chama está ardendo dentro deles” (pág. 153).

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> Livros 01: Pregação 360 graus

Dica de leitura 03

A dica de leitura de hoje é o livro em inglês 360 Degree Preaching – Hearing, Speaking, and Living the Word (algo como “Pregação 360 graus – Ouvindo, falando e vivendo a Palavra de Deus).
O autor é M307524ichael J. Quicke, professor de Pregação e Comunicação nos EUA. Foi publicado pela Baker Academic em 2003.
O livro tem dois grandes blocos. No primeiro, Quicke traz seis capítulos que podem ser vistos como uma espécie de “justificação e contextualização da pregação”. Ele aborda a origem da pregação e o seu papel na realidade atual. Um dos capítulos lida com a pessoa do pregador e o poder da Palavra.
No segundo bloco, o autor apresenta uma sistemática para a elaboração de um sermão. Ele a chama de “preaching swim” – algo como “pregação nadar”.
Segundo Quicke, o modelo procura replicar um nado rio abaixo. Ele procura fazer com que o pregador “pule” no rio da proclamação da Palavra de Deus e permaneça focado na energia e no movimento de Deus (no caso do rio, da água), na medida em que sua voz é liberada em uma pregação. Para tanto, ele aborda uma série de estágios do “nado semanal” que o pregador deve fazer – da exegese à entrega, além de discutir os formatos básicos de sermão.
A ênfase do autor é na formatação expositória da pregação, mas pode ser útil para outras formatações (tópico, textual, etc.). De qualquer forma, ele apresenta algumas ideias e sugestões que são inovadoras, criativas.

Trecho: “O pregador precisa usar a criatividade, limitada por uma exegese rigorosa, na medida em que trabalha as possibilidades de foco e função do sermão.” (pág. 159)

A reponsabilidade do pregador

“A responsabilidade do pregador com as Escrituras é mostrada por uma disposição de admitir de uma compreensão imperfeita dos textos bíblicos, familiares que possam ser, e uma disposição em devotar tempo e e estudo para uma melhor compreensão deles… Se o pregador deve pregar a Palavra de Deus, esta pregação precisa brotar de um entendimento das Escrituras, e entendimento somente pode brotar de conhecimento e reflexão.  Sem tal entendimento, os textos da Escritura se tornam um pretexto para proclamar nossas próprias idéias, formas plausíveis de ‘provar’ que um ponto de vista ou um padrão de comportamento que era normalmente aceito nos tempos bíblicos ainda é normativo hoje.” (William F. Skudlarek, “The Ethics of Preaching”. In: Ethical Issues in the Practice of Ministry. Jane A. Boyajian, ed. Minneapolis: United Theological Seminary of the Twin Cities, 1984. pp. 38-43.

O uso de termos bíblicos

Todo o pregador tem a obrigação de estudar o texto bíblico do seu sermão. Uma atenção especial deve ser dada para as palavras-chaves. É nelas que reside, na maoria das vezes, o foco principal da mensagem.
Durante o estudo (especialmente do sentido original), alguns termos podem se revelar marcantes, vigorosos e até surpreendentes. Um ou mais destes termos podem receber destaque no sermão ou até mesmo se tornar o seu fio condutor.
No primeiro caso, o mais comum é o pregador enfatizar o termo, explicando seu significado bíblico original a fim de ressaltar determinada verdade ou ampliar o sentido do mesmo termo em português. A abordagem tradicional inicia mais ou menos assim: “No original grego, a palavra ‘graça’ tem um sentido muito mais abrangente…”
Esta informação pode ser relevante para o conteúdo do sermão. Mas também pode se tornar enfadonho ou pedante. E não costuma ser criativo. O pregador precisa cuidar para não exagerar nas “explicações técnicas”.
No segundo caso há espaço para a criatividade. Quando o termo se torna um ponto de referência durante o sermão (ou partes dele), pode-se elaborar um sermão que foge do tradicional, ao menos em termos de conteúdo.